ANFAVEA DIVULGA CARTA COBRANDO MANUTENÇÃO DE REGRAS PARA VEÍCULOS ELÉTRICOS NO BRASIL

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) divulgou CARTA ABERTA (VEJA ÍNTEGRA NO FINAL DA MATÉRIA) onde cobra a manutenção das regras acordadas com o Governo Federal para a eletrificação do setor automotivo. A entidade afirma que mudanças no cronograma de recomposição tarifária para veículos elétricos importados podem comprometer investimentos superiores a R$ 140 bilhões anunciados para o Brasil até 2033 e afetar empregos, inovação e competitividade industrial (ANDRÉ MARINHO – JORNALISTA)

Segundo a Associação, o atual cronograma foi construído após um amplo processo de negociação e busca equilibrar a expansão da eletrificação com a necessidade de estimular a produção nacional, a geração de empregos e o fortalecimento da cadeia automotiva brasileira

A entidade destaca que a previsibilidade regulatória é considerada fundamental para garantir a segurança dos investimentos já anunciados pelas montadoras instaladas no país. De acordo com a Anfavea, mais de R$ 140 bilhões estão previstos até 2033 para projetos ligados à eletrificação, descarbonização, engenharia, pesquisa e ampliação da cadeia de fornecedores.

No entendimento da associação, a recomposição gradual das tarifas não impede a chegada de novas marcas ao mercado brasileiro. Como exemplo, a entidade afirma que 11 novas marcas iniciaram operações no país apenas no primeiro trimestre de 2026.

Outro ponto destacado pela Anfavea é o crescimento expressivo dos estoques de veículos importados. Segundo a entidade, os níveis chegaram a aproximadamente 150 dias de estoque em maio de 2026, um indicador considerado preocupante para o equilíbrio competitivo do setor.

A associação argumenta que parte desse movimento estaria relacionada ao aproveitamento antecipado das tarifas reduzidas por algumas empresas, criando uma distorção nas condições de concorrência frente aos fabricantes que investem em produção local.

Os números apresentados pela entidade mostram que os veículos eletrificados produzidos no Brasil responderam por 26% das vendas do segmento em 2025. Em 2026, essa participação já teria alcançado 40% dos emplacamentos.

Ao mesmo tempo, a Anfavea ressalta que as vendas de veículos eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025, demonstrando que o mercado continua aberto à entrada de novos competidores mesmo com a retomada gradual das tarifas.

Para a entidade, o principal desafio não está apenas em ampliar a participação dos veículos eletrificados, mas garantir que essa transformação gere benefícios estruturais para a economia brasileira.

Nesse contexto, a associação defende uma eletrificação acompanhada de maior desenvolvimento tecnológico local, fortalecimento da engenharia nacional e expansão da cadeia de fornecedores de componentes e sistemas.

Outro tema abordado na carta é a utilização de kits importados para montagem de veículos, prática utilizada por algumas empresas durante a fase inicial de implantação industrial.

A Anfavea reconhece que esse mecanismo pode desempenhar papel relevante em momentos de transição, mas considera que sua utilização deve evoluir gradualmente para níveis maiores de nacionalização e agregação de valor.

Segundo a entidade, a manutenção prolongada de incentivos para importação de kits pode reduzir os estímulos à criação de fornecedores locais e à expansão das atividades industriais no país.

Um estudo apresentado pela associação aponta que a ampliação desse modelo produtivo poderia resultar em perda potencial de R$ 96,8 bilhões em vendas para o setor de autopeças, além de uma redução de R$ 24,3 bilhões na arrecadação federal.

O levantamento também projeta impacto sobre o mercado de trabalho, com risco de eliminação de aproximadamente 68 mil empregos diretos e até 191 mil postos de trabalho em toda a cadeia automotiva.

Diante desse cenário, a Anfavea reforça a defesa da manutenção do cronograma tarifário já estabelecido, sem postergações ou mecanismos equivalentes que possam alterar as condições previamente acordadas.

A entidade também solicita que futuras mudanças envolvendo políticas industriais sejam precedidas por diálogo com os fabricantes instalados no país, especialmente quando houver impacto sobre investimentos já anunciados.

ABAIXO A CARTA ABERTA NA ÍNTEGRA

CARTA ABERTA

Pela manutenção dos compromissos assumidos com a indústria automotiva brasileira e preservação dos investimentos em novas tecnologias em curso 

São Paulo, 19 de junho de 2026

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) vem a público reafirmar a importância de se preservar, integralmente, o cronograma de recomposição tarifária para importação de automóveis elétricos e de se manter o fim das cotas de importação de kits para a montagem de veículos sem o devido recolhimento de tributos. As duas medidas são resultado de amplo debate sobre o futuro da política industrial brasileira e representam compromissos assumidos pelo Governo Federal com os fabricantes brasileiros no ano passado. Manter as medidas tal como foram anunciadas é assegurar a previsibilidade e a estabilidade das regras sobre as quais o setor automotivo decidiu investir no país.

A política de transição das alíquotas de importação para veículos elétricos foi estabelecida em 2023 e aperfeiçoada em 2025 após um profundo processo de discussão entre governo e setor produtivo. O cronograma vigente é uma solução equilibrada, que conciliou o necessário avanço da eletrificação no país com a necessidade de estimular investimentos produtivos no Brasil, capazes de gerar empregos de qualidade, renda para as famílias, inovação e desenvolvimento de longo prazo. 

A recomposição tarifária em curso, após um longo período de redução, não prejudica o nível de abertura comercial necessário para estimular a entrada de novos competidores, como comprova o ingresso massivo de novas marcas no país. Somente no primeiro trimestre deste ano, onze novas marcas chegaram ao mercado brasileiro. 

Outra evidência alarmante é o crescimento dos estoques. Impulsionados pelos importados, eles chegaram a 150 dias em maio de 2026. Isso mostra que o período de redução de tarifas vem sendo usado por algumas empresas para o abastecimento antecipado, o que certamente distorcerá as condições comerciais oferecidas pelos competidores brasileiros. 

Refletindo os debates travados e as regras pactuadas, as fabricantes nacionais reafirmaram seu compromisso com o país. Foram anunciados mais de R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033, destinados à eletrificação, descarbonização, engenharia, pesquisa e expansão da cadeia de suprimentos. Além disso, associadas da Anfavea aceleraram a ampliação de seu portfólio, associando-se a novas marcas e robustecendo os planos de fabricação nacional. Tudo sem pedir cotas ao governo ou qualquer mudança nas regras previamente acordadas.

Os resultados já aparecem: em 2025, os eletrificados produzidos no país responderam por 26% das vendas do segmento; em 2026, esse percentual já chega a 40%. Ainda assim, os emplacamentos de importados cresceram 214% entre 2023 e 2025, mais uma prova de que a recomposição gradual não impede a expansão do mercado.

O desafio do Brasil não é ampliar a eletrificação, que já avança em ritmo acelerado. O desafio é garantir que essa transformação venha acompanhada de mais engenharia e inovação, do fortalecimento da nossa cadeia de fornecedores e de empregos ainda mais qualificados. A eletromobilidade gerará mais benefícios ao país quanto maior for sua capacidade de agregar valor e fortalecer a base industrial e tecnológica nacional.

A Anfavea reconhece que a fabricação de veículos com o uso de kits importados pode cumprir papel relevante nas fases iniciais de implantação industrial. Sua utilização, porém, deve evoluir para a integração produtiva, o desenvolvimento de fornecedores e a incorporação de tecnologia, e não ser usada em alto volume, distorcendo as condições competitivas e desestimulando investimentos estruturantes para o país.

Transformar instrumentos transitórios em mecanismos prolongados reduz os incentivos à agregação de valor. Esse risco já pode ser observado no uso das cotas, que foram concebidas como instrumento de transição, mas foram apropriadas de modo desproporcional por algumas empresas para ampliar estoques de importados, sem qualquer adensamento da indústria nacional.

Estudo da Anfavea aponta que a eventual massificação da fabricação de veículos com o uso de kits importados significaria perda potencial de R$ 96,8 bilhões em vendas para o setor de autopeças, redução de R$ 24,3 bilhões em arrecadação para o Governo Federal e a eliminação de cerca de 68 mil empregos diretos e 191 mil em toda a cadeia.

Por isso, a Anfavea defende:

– Manutenção integral do cronograma de recomposição tarifária já estabelecido, sem postergações;

– Não renovação das cotas de importação com alíquota zero, encerradas em janeiro de 2026;

– Não criação de ex-tarifários ou mecanismos equivalentes à postergação do cronograma;

– Diálogo prévio com a indústria diante de qualquer mudança nas condições que fundamentaram os investimentos anunciados.

Alterar as regras na etapa final de sua implementação compromete a confiança de quem investiu com base nelas. Mais do que volumes de produção, está em jogo a capacidade de o Brasil preservar investimentos, ampliar sua competitividade e consolidar-se como polo de engenharia, inovação e desenvolvimento da nova mobilidade.

Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores — Anfavea

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