
A Ferrari surpreendeu e finalmente anunciou seu primeiro carro elétrico: a Ferrari Luce, que troca os tradicionais motores V6 e V12 por quatro motores elétricos — um em cada roda —, totalizando brutais 1.050 cv e 137,6 kgfm. O lançamento encheu de ira os puristas e fanáticos da marca que amaldiçoaram todas as gerações dos designers e causas uma avalanche de críticas na Internet; saiba mais sobre o foguete elétrico aqui (ANDRÉ MARINHO – JORNALISTA)

O carro vai de 0 a 100 km/h em apenas 1,9 segundo. De tão rápida, o desenho da nova Ferrari contou com ajuda de engenheiros de foguetes da Nasa. Em tempo, Luce, traduzindo para o português, significa Luz.

O design polêmico da Ferrari Luce – e que já rendeu milhares de críticas na Internet – é assinado por Jony Ive (lendário ex-chefe de design da Apple) e Marc Newson. A carroceria de quatro portas, com abertura central, é feita inteiramente de alumínio aeroespacial. Graças ao sistema mecânico compacto, o carro leva cinco pessoas e tem o maior bagageiro já instalado em um modelo da marca. As portas são “suicidas”.

A estética rompe drasticamente com o portfólio atual: faróis e lanternas emergem de painéis escurecidos como “lâminas de luz”, enquanto os limpadores de para-brisa repousam na vertical, alinhados às colunas A — uma solução focada em manter a fluidez perfeita da peça.

A aerodinâmica foi tratada como obsessão absoluta: a fabricante garante que o modelo tem o menor coeficiente de arrasto já registrado em uma Ferrari de rua. O fluxo de ar é gerenciado por spoilers em formato de túnel e aletas ativas que “respiram” conforme a velocidade, direcionando o ar para resfriar as baterias de forma inteligente.



A Ferrari Luce deve ser o novo carro elétrico mais caro do mundo, com preço estimado acima de R$ 6 milhões no Brasil, onde deve desembarcar entre 2027 e 2028. E você, o que achou da Ferrari elétrica?

É bem verdade que a Ferrari vende híbridos de uma forma ou de outra desde o LaFerrari de 2013, mas o Luce (anteriormente Elettrica) é o primeiro veículo totalmente elétrico da empresa.

O painel de instrumentos atrás do volante consiste em duas telas OLED empilhadas uma sobre a outra, com um ponteiro físico entre elas, servindo como um tacômetro simulado para este carro sem motor. Os indicadores mudam e se transformam conforme você alterna entre os modos de condução.

A tela central é um OLED de 10,12 polegadas perfurado com vários orifícios para acomodar alguns botões de alavanca robustos e um botão de volume de vidro. O pequeno relógio no canto superior direito pode se transformar em um cronômetro ou uma bússola, com seus ponteiros oscilando de acordo com o modo selecionado. Todo o painel de controle central gira e inclina. Basta puxar a alça grande abaixo e arrastá-lo para onde você quiser.


O Luce definitivamente não é um carro esportivo tradicional, assemelhando-se mais a um SUV em tamanho e formato, com quatro portas e cinco lugares. Não é o primeiro quatro portas da Ferrari; esse título pertence ao SUV Purosangue, mas é a primeira vez que um carro com o cavalo rampante no capô acomoda mais de quatro pessoas.

DESEMPENHO
Ao adicionar mais potência às rodas externas, o Luce consegue fazer curvas com mais agressividade. E, ao modular a potência individualmente, o veículo elétrico pode lidar com mais precisão com situações de baixa aderência, ou até mesmo com a patinagem das rodas em superfícies de alta aderência, o que certamente será um problema, já que 1.035 cavalos de potência são mais do que suficientes para derreter até os melhores pneus.

O carro também possui direção nas quatro rodas, permitindo que as rodas traseiras girem em sincronia com as dianteiras ou em oposição a elas, para aumentar a estabilidade ou a agilidade. O Luce conta com uma versão da suspensão ativa da Ferrari, que utiliza um sistema de amortecedores acionado eletricamente para proporcionar diferentes níveis de rigidez ou maciez, além de ajustar dinamicamente a altura da carroceria. Ao atingir a velocidade máxima na estrada (310km/h), a altura do veículo se reduz em 10 mm.
Tudo isso se une a um novo sistema de controle de tração e estabilidade mais avançado, gerenciado pela Unidade de Controle do Veículo (VCU, na sigla em inglês) da Ferrari. O sistema foi projetado para analisar a superfície da estrada e a potência do motor em cada uma das quatro rodas a cada 5 milissegundos, ajustando a potência e o comportamento da suspensão para melhor se adequar às condições.
A energia vem de uma bateria de 122 kWh (bruta) localizada na parte inferior do carro, em formato de skate. Ela carrega a uma velocidade máxima de 350 kW e, segundo a Ferrari, oferece uma autonomia de 530 km no ciclo europeu WLTP. Se essa estimativa se confirmar, provavelmente ficará abaixo de 480 km no ciclo EPA, mais rigoroso.
A Ferrari ainda não definiu o preço para os EUA, mas em seu mercado doméstico, a Itália, o carro terá um preço inicial de € 550.000. Isso o tornará o modelo mais caro da empresa, com um preço bem acima dos cerca de US$ 430.000 do Purosangue.
FICHA TÉCNICA
- Motorização: quatro motores elétricos, um por roda
- Potência: 1.035 hp
- Bateria: pacote bruto de 122 kWh
- Recarga rápida: arquitetura de 800 V e pico de até 350 kW
- Autonomia: 329 milhas no ciclo europeu WLTP, cerca de 530 km
- Desempenho: 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, 0 a 200 km/h em 6,8 segundos e velocidade máxima de 310 km/h




