
O Brasil chegou, na última semana, a marca histórica de 100 milhões de veículos produzidos. O resultado reflete sete décadas de desenvolvimento da indústria automotiva nacional, um dos principais setores da economia brasileira, responsável por investimentos, geração de empregos, inovação e competitividade (ANDRÉ MARINHO – JORNALISTA)

A produção de autoveículos no país começou em 1956, com a criação do Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), durante o governo de Juscelino Kubitschek. A política industrial implementada naquele período deu origem a uma cadeia produtiva que permitiu ao Brasil se consolidar entre os principais produtores de veículos do mundo.



Atualmente, a indústria automotiva brasileira conta com um parque industrial distribuído por diversas regiões do país e responde por cerca de 20% do PIB industrial. Ao longo de toda a cadeia produtiva, que inclui montadoras, fabricantes de autopeças, concessionárias, logística e serviços, o setor é responsável por aproximadamente 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos, além de estar entre os maiores investidores privados em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

“A marca de 100 milhões de autoveículos produzidos representa um momento relevante para a indústria automotiva brasileira e reflete a contribuição de milhares de trabalhadores, engenheiros, técnicos, fornecedores e empresários que participaram da construção desse setor ao longo das últimas décadas”, afirma o presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Igor Calvet.
O marco é alcançado em um período de novos investimentos na indústria automotiva. As montadoras anunciaram aproximadamente R$ 180 bilhões para os próximos anos, destinados à modernização das fábricas, ao desenvolvimento de novas tecnologias, à ampliação da engenharia nacional e à produção de veículos mais eficientes e alinhados às demandas da transição energética.



O resultado também coincide com um momento positivo para o setor. No primeiro semestre de 2026, a indústria automotiva registrou desempenho acima das expectativas, levando a Anfavea a revisar para cima as projeções para o ano.
A expectativa é que o Brasil volte a superar a marca de 3 milhões de emplacamentos, patamar não registrado desde 2014, enquanto a produção deve alcançar cerca de 2,8 milhões de veículos, o melhor resultado desde 2019.
Segundo comunicado da Anfavea, “apesar desse cenário, permanecem desafios para ampliar a competitividade da produção nacional. O crescimento do mercado interno continua superior ao da fabricação local, enquanto o aumento das importações, a recuperação das exportações e a necessidade de um ambiente regulatório estável seguem como temas relevantes para assegurar a continuidade dos investimentos e ampliar a capacidade produtiva da indústria brasileira”.
Ainda de acordo com o comunicado, “os investimentos anunciados também ampliam as condições para que o Brasil avance na mobilidade de baixo carbono, combinando eletrificação, biocombustíveis e desenvolvimento tecnológico em um modelo compatível com as características da matriz energética nacional”.




